27 de novembro de 2016

Tiradentes

Tiradentes MG

Lugar ideal para quem quer conhecer a história, a arte colonial e a culinária mineira, Tiradentes é, com certeza, uma das mais belas cidades históricas do Estado. Caminhar pela pequena cidade, curtindo cada passo, é sentir o sabor e o aroma das Minas Gerais.

Por possuir um patrimônio histórico muito homogêneo, este importante e bonito reduto cultural tem servido como set para gravações de filmes, minisséries e novelas.

Sem falar no Carnaval e na Semana Santa, eventos como o Festival de Cinema, em janeiro, a Semana da Inconfidência, em abril, o Jubileu da Santíssima Trindade, em maio ou junho, o Encontro dos Apreciadores da Harley Davidson, em julho, e o Festival Gastronômico, em agosto, que ali vêm sendo realizados com sucesso, já lideram o calendário promocional da  mais charmosa cidade histórica brasileira, que hoje tem no turismo sua verdadeira vocação.

Tiradentes tem sua origem no pequeno arraial da Ponta do Morro, formado em princípios do século 18. Desde os últimos anos do século 17, o paulista Tomé Portes Del Rey explorava o direito de passagem às margens do Rio das Mortes, num ponto conhecido como Porto Real da Passagem. Em 1702, João de Siqueira Afonso chega à região e, em companhia de Tomé Portes, descobre ouro nos córregos da redondeza. ‘Ao mesmo tempo que, nas mesmas circunstâncias, Antônio Bueno desvendava os veeiros da Ponta do Morro, preparando o berço da famosa Vila de São José.” (Diogo de Vasconcelos).

O local logo se transforma em arraial com afluxo crescente de garimpeiros. Pouco tempo depois, passa a se chamar Arraial da Ponta do Morro de Santo Antônio, em louvor ao santo de devoção dos moradores que aí se reuniram e ergueram uma capela. Em 1718, no governo do Conde de Assumar, tornou-se vila com a denominação de Vila de São José del-Rei. Era uma homenagem ao príncipe herdeiro D. José.  A Vila, então, foi ganhando construções civis e religiosas e a mineração torna-se a principal atividade econômica.

A vida da Vila foi abalada em maio de 1789 com as prisões do vigário da Comarca do Rio das Mortes, que abrangia São João del-Rei, São José del-Rei  e muitos arraiais, o inconfidente Padre Carlos Correia de Toledo e Melo e seu irmão Luis Vaz de Toledo e Piza. A influência do rico padre era tão grande na região que, quando faleceu em 1803, em Lisboa, missas em encomendação de sua alma foram “ditas” na Matriz de Santo Antônio da Vila de São José del-Rei.

A decadência da mineração não poupou nenhuma das vilas da região das minas. A Vila de São José del-Rei sofreu e muito. Era total a desolação. As atividades econômicas se deslocaram para a área rural como solução para subsistir a um período tão árduo.

“É à margem do Rio das Mortes e abaixo das montanhas de São José que está construída a vila que tem esse nome. Ela é pequena, mas conta com casas muito bonitas, e fica-se admirado do tamanho da igreja paroquial, colocada sobre um ‘plateau’. As colinas que cercam São José, cavadas e reviradas em todos os sentidos demonstram quais eram as ocupações dos primeiros habitantes dessa vila. Seus arredores fornecem muito ouro e é de crer-se que esse lugar foi de grande importância, para que, tão perto de São João, se criasse outra vila. Hoje, o metal precioso que constituía o objetivo de tantas pesquisas acha-se quase esgotado, tendo sido abandonadas quase todas as antigas minerações” (Saint-Hilaire).

No dia 7 de outubro de 1860, a vila foi elevada à cidade pela lei nº 1092, mantendo o mesmo nome. A sugestão do nome Tiradentes para a cidade foi dada por Silva Jardim, o mais atuante propagandista da República. Em suas campanhas, percorreu diversas cidades fluminenses, paulistas e mineiras. Quando esteve em São João del-Rei, após ser atacado pelos partidários da monarquia, proferiu um  discurso caloroso como era de seu feitio e, nesse momento, lançou a ideia  – Tiradentes – assim deveria se chamar São José del-Rei, ao invés de homenagear  um rei português.  Ainda durante o governo provisório, foi feita a troca do nome através do decreto nº 3, assinado em 6 de dezembro de 1889.

(inspiração, senac minas)